Há mais de um mês, o município de Breves, com 102 mil habitantes, figura entre as 20 cidades com as mais altas taxas de mortalidade no Brasil. No último domingo (07), Breves registrava 63 óbitos por Covid-19. No Marajó, Breves só está abaixo do índice de mortalidade de Santa Cruz do Arari (69 mortos por 100 mil habitantes), cidade que não entra nas estatísticas por ter menos de 300 casos oficialmente confirmados (Santa Cruz tem uma população de 10 mil habitantes, 65 casos confirmados e 7 óbitos causados pela doença).
Questionada sobre os motivos que levam os municípios do Marajó a ter altas taxas de mortalidade, Valdenora diz que “existem vários causas, entre elas a despreocupação do povo com o riscos da transmissão; as distância geográficas para a população chegar aos serviços de saúde; a ausência de recursos médicos e tecnológicos; e as dificuldades para chegar a suportes mais avançados, inclusive os leitos na capital”.
Na opinião da profissional, que atua há cerca de 40 anos na saúde pública, “uma das estratégias para minimizar os óbitos é o que já está sendo feito por alguns municípios, o deslocamento de equipes para atendimento nas zonas rurais, o que demora a surtir efeito, em razão das dificuldades enfrentadas pelas equipes, como a extensão dos municípios”.
Segundo ela, o atendimento às comunidades ribeirinhas do Marajó e da Amazônia “precisa de um orçamento diferenciado”, necessário para vencer as grandes distâncias entre as comunidades e as cidades e o chamado “custo Marajó”, que considera todas as dificuldades de acesso para justificar a alta de preços nos produtos e serviços da ilha.
Com uma população estimada em 564 mil habitantes pelo IBGE em 2019, os 16 municípios da ilha do Marajó somam atualmente cerca de três mil casos confirmados e 177 óbitos por Covid-19. Com esses números, a região do Marajó tem mortalidade de 35 pessoas a cada 100 mil habitantes. A média atual do Brasil é de 17 mortes por 100 mil habitantes.
Fonte: Portal Extra



