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Produtora cultural negra e com filho de 10 meses é demitida da Secult e acusa Ursula Vidal de silenciar mulheres

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A Secretária de Cultura do Estado, Ursula Vidal, através do seu sub-secretário, demitiu a produtora cultural Lorena Saavedra, uma mulher negra com duas crianças pequenas, uma delas é recém-nascida e tem 10 meses, na última quarta-feira, 3. Ela trabalhava como diretora do departamento de Pesquisa, Exp.Promoção e Cultura  na Secretaria de Cultura do Estado do Pará (Secult)

A demissão foi através de chamada de vídeo e nenhuma justificativa pertinente foi dada. A exoneração gerou revolta na internet, mas a secretária bloqueou perfis que a criticavam por sua atitude.

Ativistas acusam Ursula Vidal de usar pauta do antirracismo para se promover politicamente. “A mulher, que defende mulher, que luta pelo direito das mulheres, demitiu uma mãe, lactante, preta, em plena pandemia. E o motivo? A Lorena não aceitar, apoiar todas as atitudes fascistas dessa mulher”, escreveu Samantha Quemel em uma rede social.

Em entrevista com a jornalista Mary Tupiassu, através do Instagram, Lorena contra que entrou na secretaria em janeiro de 2019 e relatou alguns problemas logo no começo. “Equipe muito machista, onde nas reuniões a gente tinha que brigar por voz. Sempre cortavam a gente”. A produtora conta que sempre foi militante e sempre denunciou questões de desigualdades e, por isso, acompanhava Úrsula desde as eleições de 2015.

“Sempre achei Ursula super bacana, uma mulher muito inteligente, ficamos amigas e cheguei a frequentar a casa da Ursula. Não consigo ficar com raiva dela”, afirma.

Ela relata que chegou a esconder a gravidez por trabalhar em uma equipe machista. “Entro de licença maternidade final de junho e volto em janeiro desse ano, e quando eu volto, já volto com uma pegada diferente”, afirma. “Eu volto e pego uma mesa com computador quebrado.Eu passei a não ser chamada para as reuniões, não tinha diálogo nenhum com a Ursula, não consegui mais sentar com ela para falar de projetos”, comenta. 

Além disso, a produtora cultural foi vítima de atitudes grosseiras por parte da secretária. “Não gostava da forma que a Ursula falava com a gente. Estúpida, grosseira. Várias vezes eu chorei por algumas coisas”, conta.

Lorena várias vezes marcou reuniões para discutir projetos, mas os encontros eram sempre desmarcados por Ursula, que é acusado de não dar voz para as mulheres.  “Não há mulheres com cargos de gestão na diretoria de cultura. Eu nunca trabalhei em um lugar mais machista do que a secretaria de cultura. Silenciamento. Esmagamento”, desabafa.

Ela também conta como aconteceu a exoneração e o motivo. “Ele (sub-secretário) me ligou, fez videochamada e fez a seguinte fala: ‘O motivo é de que o cargo é de confiança e não existe mais confiança em você, então, por isso, você está demitida”, relata. Após a demissão, Lorena mandou mensagem para a secretária, que logo a bloqueou.

“Eu não vou mais permitir estar trabalhando em lugares que me silenciem”, diz.

Até a publicação dessa reportagem, a secretária não se pronunciou sobre o caso.

https://twitter.com/eupedroribas/status/1269422132100050948?s=21

Fonte: RomaNews